O ouriço que preparou a cama para o inverno

Era outono na floresta. As folhas tinham ficado amarelas e vermelhas, e anoitecia cedo. O pequeno ouriço Óscar deu um bocejo tão grande que todos os seus espinhos tremeram.
— O inverno está quase a chegar — disse ele. — Então tenho de ir dormir. Mas primeiro tenho de preparar a cama.
Óscar partiu nos seus pezinhos. Tic, tac. Tic, tac.
Debaixo de um abeto, estava o esquilo a separar pinhas.
— Esquilo — disse Óscar. — Tens alguma coisa macia para a minha cama?
O esquilo pensou um bocadinho. Depois, tirou um pedaço de musgo de uma pedra.
— Toma — disse o esquilo. — O musgo é macio e verde e cheira a floresta.
— Obrigado — disse Óscar. Pegou no musgo e seguiu caminho. Tic, tac. Tic, tac.
Junto ao riacho, estava um passarinho a arranjar as penas.
— Passarinho — disse Óscar. — Tens alguma coisa macia para a minha cama?
O passarinho sacudiu-se e uma pena desceu a flutuar, branca e leve.
— Toma — disse o passarinho. — Uma pena é quentinha e leve como um sopro.
— Obrigado — disse Óscar. Pegou na pena e seguiu caminho. Tic, tac. Tic, tac.
No cimo da colina erguia-se o velho carvalho. Era a árvore mais antiga da floresta e ainda tinha muitas folhas.
— Carvalho — disse Óscar. — Tens alguma coisa macia para a minha cama?
Soprou uma brisa. O carvalho suspirou por entre os ramos, e as folhas foram caindo, uma a uma, amarelas, castanhas e secas. Foram pousar num monte, mesmo aos pés de Óscar.
— Toma — murmurou o carvalho. — As minhas folhas são secas e fazem um ruído suave. Debaixo delas fica-se quentinho o inverno inteiro, até chegar a primavera.
— Obrigado — disse Óscar.
Pôs o musgo no chão. Por cima, colocou a pena. Depois, enfiou-se debaixo das folhas do carvalho, que pousaram sobre ele como uma manta.
Era macio. Era quentinho. Cheirava a floresta.
Óscar enroscou-se numa pequena bola redonda. Inspirou, devagar. E expirou, ainda mais devagar.
Lá ao longe, debaixo do abeto, o esquilo deitou-se no seu ninho. Junto ao riacho, o passarinho escondeu a cabeça debaixo da asa. O carvalho ficou imóvel, de guarda.
E o primeiro floco de neve caiu, muito silencioso, sobre o monte de folhas onde Óscar dormia.
Boa noite, Óscar. Boa noite, floresta. Boa noite, a ti.

